domingo, 5 de maio de 2013


TENHAMOS PAZ





Tende paz entre vós” - Paulo.

(I Tessalonissenses, 5:13)





Se não é possível respirar num clima de paz perfeita, entre as criaturas, em face da ignorância e da belicosidade humana, é razoável procure o aprendiz a serenidade interior, diante dos conflitos que buscam envolvê-lo a cada instante.



Cada mente encarnada constitui extenso núcleo de governo espiritual, subordinado agora a justas limitações, servido por várias potências, traduzidas nos sentidos e percepções.



Quando todos os centros individuais de poder estiverem dominados em si mesmos, com ampla movimentação no rumo do legítimo bem, então a guerra será banida do planeta.



Para isso, porém, é necessário que os irmãos em humanidade, mais velhos na experiência e no conhecimento, aprendam a ter paz consigo.



Educar a visão, a audição, o gosto e os ímpetos representa base primordial do pacifismo edificante.



Geralmente, ouvimos, vemos e sentimos, conforme nossas inclinações e não segundo a realidade essencial. Registramos certas informações, longe da boa intenção em que foram inicialmente vazadas, e, sim, de acordo com as nossas perturbações internas. Anotamos situações e paisagens com a luz ou com a treva que nos absorvem a inteligência. Sentimos com a reflexão ou com o caos que instalamos no próprio entendimento.



Eis por que, quando nos seja possível, façamos serenidade em torno de nossos passos, ante os conflitos da esfera em que nos achamos.



Sem calma, é impossível observar e trabalhar para o bem.



Sem paz, dentro de nós, jamais alcançaremos os círculos da paz verdadeira.



Emmanuel (Espírito). Pão Nosso. 29ª Ed., Rio de Janeiro, FEB, 2012 (p 65-6)

sábado, 6 de outubro de 2012


AUMENTO DA VIVÊNCIA EXISTENCIAL



         Uma segunda característica do processo que representa para mim a “vida boa” é que ela implica uma tendência crescente para viver plenamente cada momento. Esta ideia pode ser facilmente mal-entendida e talvez seja até um pouco vaga no meu próprio espírito. Vejamos se consigo exprimir o que quero dizer.

         Julgo ser evidente que uma pessoa que estivesse plenamente aberta a cada experiência nova, completamente desprovida de uma atitude defensiva, viveria cada momento da sua vida como novo. A configuração complexa de estímulos internos e externos que existe num determinado momento nunca antes existira exatamente da mesma maneira. Por conseguinte, essa pessoa compreenderia que “aquilo que eu vou ser no próximo momento e aquilo que eu vou fazer nasce desse momento e não pode ser previsto de antemão nem por mim nem pelos outros”. Não é raro encontrar clientes que exprimem precisamente esse tipo de sentimento.

      Uma forma de exprimir a fluidez que está presente numa tal vivência existencial é dizer que o eu e a personalidade emergem da experiência, em vez de dizer que a experiência foi traduzida ou deformada para se ajustar a uma estrutura preconcebida do eu. Isso quer dizer que uma pessoa se torna um participante e um observador do processo em curso da experiência organísmica, em ver de controlá-lo.

         Esse viver o momento significa uma ausência de rigidez, de organização estreita, de imposição de uma estrutura à experiência. Significa, pelo contrário, um máximo de adaptabilidade, uma descoberta da estrutura na experiência, uma organização fluente, mutável, do eu e da personalidade.


       É essa tendência para uma vivência existencial que a mim se revela de uma forma bem patente nas pessoas envolvidas no processo da “vida boa”. Poder-se-ia quase dizer que é a sua característica mais importante. Ela implica a descoberta da estrutura da experiência no processo de viver essa experiência.
 
A maior parte de nós, por outro lado, aplica à experiência uma estrutura e uma avaliação pré-formada, e nunca as abandona, comprimindo e deformando a experiência para adaptá-la às nossas ideias preconcebidas, irritando-se com os aspectos fluidos que a tornam tão difícil de adaptar aos nossos escaninhos cuidadosamente construídos. Abrir o espírito para aquilo que está acontecendo agora, e descobrir nesse processo presente qualquer estrutura que se apresente – tal é, na minha opinião, uma das qualidade da “vida boa”, da vida amadurecida, como a que vejo os clientes alcançarem.



ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoal. 6ª ed. São Paulo, Martins Fontes, 2009. p 215-6.