domingo, 16 de junho de 2013




      “Narra-se, e tornou-se muito conhecida com variações, embora com o mesmo conteúdo, a história de um monge budista que rumava na direção do monastério acompanhado por alguns dos seus discípulos, quando, passando por uma ponte, viram um escorpião que estava sendo arrastado pela correnteza na qual se debatia, afogando-se.
 
      O monge, apiedado, correu pela margem do rio, introduziu a mão na água e retirou-o da morte certa.

      Alegre por havê-lo salvado da situação, quando o trazia para o solo, o escorpião picou-o, produzindo-lhe uma grande dor, que o fez derrubá-lo novamente nas águas...


      Nesse momento, o monge correu e, tomando um pedaço de madeira, novamente se adentrou nas águas e retirou-o, salvando-o.


      Retomou ao caminho em silêncio após o seu gesto nobre, quando um dos discípulos, surpreendido pela ocorrência, indagou-o:


      - Mestre, penso que o senhor não se encontra bem. A sua tentativa de salvar esse aracnídeo nojento e perverso, que lhe agradeceu o gesto nobre com uma picada dolorosa, redundando inútil e perniciosa para o senhor. Não seria natural que o deixasse morrer, ao invés de intentar por segunda vez salvá-lo, correndo novamente o mesmo risco?


      O monge escutou com suave sorriso na face e respondeu com bondade:


      - Ele agiu conforme a sua natureza, enquanto eu procedi conforme a minha. Ele agiu por instinto, defendendo-se a agressão, e eu agi de acordo com meu sentimento de amor por tudo e por todos...” (Psicologia da Gratidão, Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira Franco, p. 138-9)

 

domingo, 5 de maio de 2013


TENHAMOS PAZ





Tende paz entre vós” - Paulo.

(I Tessalonissenses, 5:13)





Se não é possível respirar num clima de paz perfeita, entre as criaturas, em face da ignorância e da belicosidade humana, é razoável procure o aprendiz a serenidade interior, diante dos conflitos que buscam envolvê-lo a cada instante.



Cada mente encarnada constitui extenso núcleo de governo espiritual, subordinado agora a justas limitações, servido por várias potências, traduzidas nos sentidos e percepções.



Quando todos os centros individuais de poder estiverem dominados em si mesmos, com ampla movimentação no rumo do legítimo bem, então a guerra será banida do planeta.



Para isso, porém, é necessário que os irmãos em humanidade, mais velhos na experiência e no conhecimento, aprendam a ter paz consigo.



Educar a visão, a audição, o gosto e os ímpetos representa base primordial do pacifismo edificante.



Geralmente, ouvimos, vemos e sentimos, conforme nossas inclinações e não segundo a realidade essencial. Registramos certas informações, longe da boa intenção em que foram inicialmente vazadas, e, sim, de acordo com as nossas perturbações internas. Anotamos situações e paisagens com a luz ou com a treva que nos absorvem a inteligência. Sentimos com a reflexão ou com o caos que instalamos no próprio entendimento.



Eis por que, quando nos seja possível, façamos serenidade em torno de nossos passos, ante os conflitos da esfera em que nos achamos.



Sem calma, é impossível observar e trabalhar para o bem.



Sem paz, dentro de nós, jamais alcançaremos os círculos da paz verdadeira.



Emmanuel (Espírito). Pão Nosso. 29ª Ed., Rio de Janeiro, FEB, 2012 (p 65-6)